intermitente
sinto-me muito cheia de idas e vindas, mergulhada em um vaivém de sentimentos incoerentes e que não conversam entre si, como se eu fosse uma torradeira ou uma cafeteira ou um outro eletrônico qualquer que apresenta defeito intermitente e exaspera seu proprietário a cada vez que o transporta à assistência para efetuar reparo, quando vê desaparecer diante de seus olhos o defeito assinalado, tão definitivamente como se nunca tivesse existido. não tenho sabido o que fazer de mim, e isto nas melhores e nas piores horas igualmente, mas não estou perdida. sei algumas coisas a meu respeito que são importantes e sobretudo são mais do que já soube em horas passadas, e isso me conforta. e tenho olhado tudo o que há ao redor, e também o que há em mim – sobretudo isso, o que há em mim – com muito cuidado e primazia, sem querer atropelar os detalhes, pois o que me move agora é alcançar pequenas sabedorias que me permitam fazer as coisas da melhor maneira possível. sei que ainda me falta muito, e há de faltar sempre – isso é a vida, nunca estamos prontos. mas sigo neste caminho como uma estudante aplicada, com a cara enfiada nos livros da vida que me mostram algumas coisas bem bonitas e outras nem tanto, e eu procuro ficar satisfeita com tudo, até com o que me dói, afinal para algo há de servir. eu vou aceitando desde que não haja recuos – destes, eu estou verdadeiramente cansada, quero ir em frente. levando a vida possível no bolso, essa mistura das coisas boas e ruins, dos sorrisos e das rasteiras. se acontece, é porque tem que acontecer. só o que não quero é parar de caminhar.





