trilogia
by renata penna
Vocês são assim: três, tão diferentes. A primeira muito sensível, toda delicada e mocinha. A segunda divertida, bagunceira e inconsequente. A terceira muito decidida, dura na queda. Três coisinhas cada uma de seu jeito sem aceitar comparação, e eu nesse exercício de criar filhas tão diferentes. Todos os dias eu aprendo alguma coisa, a cada dia eu descubro, cada dia é uma nova chance, e isso me alegra. Ir de mãos dadas, e de cada uma de vocês, eu tirar uma coisa boa, e doar também. Aquele vaivém: aprendendo e ensinando na troca, na conversa, no erro, na risada quando todo mundo acha graça na mesma coisa, mesmo de um jeito diferente, cada um na sua. E no carinho, no afago, no toque. Nas pequenas belezas. As mãos no cabelo ou na bochecha, o abraço desinteressado na frente da televisão ou ouvindo música, ou enquanto eu trabalho. A brincadeira no quintal, na rua, na padaria, na praia, ser criança de novo, com vocês. Tem gosto bom, e faz sentir que a gente está assim, perto. Pele com pele, vibrando junto. Nem sempre no mesmo ritmo, às vezes o dia é um desafino de dar gosto, mas outras vezes não – é uma melodia bonita, harmoniosa, doce. Tão doce quanto a respiração de vocês, no meio da madrugada, que me enche de felicidade e um amor inteiro, bom. É assim, com vocês é assim: seja como for é tudo inteiro, e tão bom.

Faz sentir que a gente está assim, vivo.