apaixonamento

by renata penna

As pessoas têm me dito que estou irritantemente feliz, irritantemente apaixonada. Talvez esteja mesmo. Tenho sentido aquelas coisinhas por dentro, sabe? As tais borboletas. E uma alegria tão imensa, persistente. Uma vontade de sair pela rua dizendo bom dia, abraçando desconhecidos. Tenho sorrido muito. E é claro, pensado em você quase que 24 horas por dia. Mas não tem angústia, não tem sofrimento, não tem mesmo nada de ruim, é tão feito só de alegria que eu até me surpreendo. Primeira vez que eu sinto um amor assim, tão sem dor. Ela deve vir em algum momento, eu sei, mas por ora.  Fica nesse calorzinho bom, o sol brilhando do lado de dentro apesar desse inverno tenebroso. Ter você na minha vida me esquenta. Tua mão endireita meus passos, teu olhar melhora o meu. Eu gosto tanto de sorrir pra você. Com você. Gosto de ver quieto me ouvindo falar. E de te dar um beijo de despedida  já esperando a hora de te ver de novo. E tem o gosto bom de surpresa, todos os dias: toca o celular, o coração pula. Quase sai pela boca, mesmo. A perna bambeia, me dá uma zonzeira, aquele pacotinho completo. Quase me sinto uma personagem de comediazinha romântica daquelas bem mamão com açúcar, que a gente assiste com um balde de pipoca na mão, debaixo do edredon num dia frio, e em boa companhia. Ando me sentindo tão breguinha, muito piegas, muito previsível, cantarolando coisinhas românticas e pisando nas nuvens, tão cheia de  cores, tão vazia de dores. Tão cheia de sonhos. E sabe o quê mais? Vem bem perto que te digo sem qualquer vergonha: eu ando gostando muito.

(escrito em julho de 2002)

imagem: Alicia Varela