do que se tem nas mãos

maosagarrP” – eu não sei o que fazer da tua vida nas minhas mãos.

– e eu não sei o que fazer das minhas mãos, sem a tua vida.” *

‘eu não consigo mais pensar em mim sem pensar em você’, foi o que você me disse, à meia-luz naquela madrugada silenciosa por entre as minhas lágrimas. eu tive medo, entende. tive medo de estar assim com a sua vida nas minhas mãos, achei tão perigoso, tamanha responsabilidade, fiquei quase sufocada. de repente eu quis gritar, quis sair correndo dali e ir para bem longe sem olhar para trás, nunca mais olhar para você e nunca mais me sentir responsável por coisa nenhuma. eu amo você. eu amo muito você. mas às vezes isso não é tudo – e é com o coração dolorido e angustiado que eu digo isso, eu que já fui a criatura mais romântica da face da terra, daquelas pessoas capazes de acreditar em princesas e príncipes e violinos tocando e felizes para sempre. às vezes a vida pede mais, pede diferente. pede que a gente saia e vá para o mundo, mostre a cara, faça coisas diferentes, ria e chore, e depois quem sabe se volta ou quem sabe se não, não há garantias, entende? e é disso que eu tenho medo – porque não sei se não me falta coragem de dar o último passo, não sei se não me acovardo na hora de bater a porta atrás de mim, não sei se me sobra valentia suficiente para colocar os dois pés na rua e ir, ir para tudo isso que eu não sei o que é mas tem me feito tanta falta. e o que mais me exaspera nessa história toda é que tudo dói: ficar dói, seguir adiante dói, virar o rosto dói, fazer de conta que não é dói, deixar para depois dói demais. estou tão perdida, e as tuas palavras que eram para ser uma coisa bonita e doce, tão doce feito um afago no meio do sono sem querer acordar, elas só fizeram mais bagunça aqui dentro, uma algazarra tremenda que agora não me deixa dormir, não me deixa pensar, não me deixa descansar. **

 – escrito há tempos atrás, e é doce olhar com perspectiva e de repente me dar conta de que hoje já não dói, e já não pesa. pra nenhum de nós. que já não dói. –

* trecho de uma peça assistida muito tempo atrás,  não guardei o nome, mas o trecho ficou na memória (ou no coração)

** do arquivo

imagem: Renata Penna

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