por (des)encanto

bancovllbuma vez acreditei mas já faz muito tempo, é coisa tão alijada de mim na linha dos acontecimentos que sinto mesmo como se tivesse sido em outra existência. hoje já não reconheço o gosto desta fé desmedida e desta crença inabalável nas coisas boas e corretas como devem ser, hoje sei apenas o gosto que tem o medo, este medo tão grande que poderia mesmo se chamar pavor, o pavor do inesperado, pavor do susto ao dobrar a esquina, pavor do desconhecido que vem ameaçar a ordem estabelecida das coisas. já não gosto de mudanças, há muito perdi o apreço que um dia tive pelas novidades – descobri com algum espanto não há nada de ruim no que já é conhecido, no que oferece segurança e estabilidade, no que se reveste de tédio. aprendi que o novidadoso é desnecessariamente supervalorizado e o que traz felicidade mesmo não é isso, trata-se ao contrário de uma outra coisa, algo que propicia segurança, é um chão firme no qual se pise com firmeza, sem outros receios.  é isto o que estimo hoje verdadeiramente, após uma sucessão de malfadados acontecimentos surpreendentes: já não desejo mais do que um porto seguro, um canto silencioso onde tudo seja previsível e onde as coisas aconteçam de acordo com o que se espera delas. apenas isso – e é tanto, meu deus, tanto. isso hoje me bastaria, e percebam que não exijo muito: quero apenas descansar.

foto: Renata Penna

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