para quedas

balancando“Você sabe que vai ser sempre assim. Que essa queda não é a última. Que muitas vezes você vai cair e hesitar no levantar-se, até uma próxima queda.” *

então hoje eu me sinto forte, cheia de confiança e de valentia e de alguma maneira que não me arrisco a tentar compreender e menos ainda explicar, estou muito disposta para todas as coisas que hão de vir. eu me sinto corajosa, preparada, toda imbuída de um sentimento misterioso de fé, um certo protegimento diante da vida como se houvesse algo tão maior do que eu a zelar pelas coisas para que sejam do melhor jeito. assim estou: confio no que virá, novamente confio – porque ao longo desta caminhada recente em algum ponto que não sei precisar eu havia perdido esta confiança, ou bem, talvez não tivesse exatamente perdido mas ela andava escondida e acabrunhada sem muito ânimo de se mostrar, e é nestas horas que sem que a gente se dê conta ou saiba se defender o medo vem para dar as cartas, alimentado das incertezas que são sempre tantas e com isso é preciso que se aprenda mesmo a conviver. posso não estar ainda certa de muitas coisas, é bem verdade. e ainda há muito o que aprender e ainda quero muito melhorar como quererei sempre. mas há pouco nasceu-me de novo um sorriso branco de alegria verdadeira e esperança, um sorriso rasgado com delicadeza, e outra vez vejo as coisas como boas a princípio, como certas, acontecendo para fortalecer e trazer melhora e aqueles engrandecimentos que me enfeitam o caminho e fazem que tudo seja bonito e tenha sua valia. então eu fico aqui desejando que esse estado perdure, porque não quero mais desesperançar – mas como sei que é coisa certa e fatalmente haverá de acontecer de vez em quando, passo a desejar outra coisa mais factível e ao alcance: que quando a desesperança vier bater novamente à porta, que seja por tempo breve, que não faça morada, não se demore nem caleje demais. e que o meu querer levantar chegue cada vez mais ligeiro e florido, sem muita tardança que me entristeça além do que eu posso suportar sem esmorecer. porque isso é o que eu não posso: esmorecer. que eu esteja no chão mas que esteja sorrindo, muito sabedora da doçura que tem essa coisa toda da gente cair de novo só para poder levantar.

foto: Renata Penna

* Caio Fernando Abreu, in: “O Inventário do Irremediável”

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