a mortalha do amor, adeus

lanca

esta noite sonhei contigo, conosco. estávamos perto um do outro, ao alcance, mas não nos tocávamos. como se fosse proibido. como se fosse perigoso. respirávamos o mesmo ar, na esperança de que esse compartilhamento de moléculas significasse alguma coisa e nos trouxesse algum alívio, amenizasse o peso das coisas não ditas, das entrelinhas, dos emaranhados. que nada – a urgência só ficava maior, mais forte, mais sentida, feito fogo consumindo mato ressecado.  acordei assustada, angustiada. havia em mim sobretudo a memória da dor – uma dor aguda, cortante, pungente. senti o coração a me bater aceleradamente, em protesto, como quem pede por alguma coisa que não há de receber a não ser por milagre. a respiração difícil, a garganta fechada. quis chorar, mas não consegui. quis jogar alguma coisa contra a parede, estilhaçar um vidro, quis agredir alguém, quis gritar. não fiz coisa alguma, e fiquei com você o resto do dia. nos pensamentos, por entre os dedos, em cada suspiro. você me doeu hoje, em tempo integral.

foto: Renata Penna

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