des temor

cano

desculpe-me, mas não tenho mais medo. já tive, muito. já me escondi e tive minha cota de taquicardias e tremedeiras e suores nas mãos num quase desespero que me acometia quando a possibilidade da descoberta se me avizinhava, mas hoje. não temo mais. não escondo mais. que me descubram. que me olhem as faltas, as falhas. que me mirem de cima a baixo em inspeção minuciosa, que me saibam limitada, patética, ridícula, risível e tudo aquilo que tantas vezes sou eu, entre muitas outras coisas quase infinitas. que me enxerguem. hoje, pouco se-me-dá. não importa. que digam, que pensem, que falem, eu olho para o lado, dou de ombros, sapateio e continuo. não é arrogância, é valentia. valentia de ser. por inteiro. imperfeita, falível, humana. pés no chão. cabelos ao vento. cicatrizes mais ou menos aparentes e o coração todo enfeitado das calosidades adquiridas com o tempo, as dores. ah, as dores. foram todas minhas, como as vergonhas, como as alegrias, como a poesia toda e tudo o mais que teve de ser. desculpe-me, mas eu não me escondo. já hoje, não.

foto: Renata Penna

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