em palavra

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e por isso, preciso colocar para fora de mim. dizer, alardear. ainda que eu não tenha à mão a palavra exata que eu nem ao menos sei qual é. ainda que não faça sentido aos olhos de quem vê de fora – e tantas vezes tampouco faz a quem vê de dentro. é preciso dizer. moldar com a ponta dos dedos o sentimento, por incompreendido que seja. fazer do verbo a vida e da vida o verbo, numa constante. espiral de entrega, dor, prazer, experiência, tudo junto. é preciso dizer. sem saber, que às vezes – tantas vezes – a gente não sabe. e não saber, isso eu aprendi, pode ser bom. pode ser lindo. perder-se também é caminho, já dizia clarice, amada clarice. então eu me perco, mas não me calo – eu digo. de olhos rasos, eu digo. digo entre soluços, de voz embargada e quase sem conseguir, e desafino, mas digo. e enquanto digo me ouço, que é para entender um tantinho mais do que antes. é assim, de grão em grão, e essa fome que nunca se mata.

foto: Renata Penna

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