a bruta flor

irmkar10set13

é que às vezes, especialmente em horas determinadas no dia e em dadas circunstâncias, eu te preciso muito. como quem sente uma fome tão exagerada que chega a fazer doer o estômago e turvar a vista, como quem se vê acometido de uma fraqueza súbita, assim eu te preciso, fisicamente. é uma necessidade real, palpável. eu quase posso pegá-la nas mãos e acariciá-la como se fosse um bicho de estimação. ela, a vontade. a vontade de te sentir o cheiro, o gosto. a vontade de te ouvir a voz sussurrada. a vontade de estar perto, junto, com. a vontade que já não se conforma com pouco e já não se alimenta somente de palavra, a vontade que já não quer a distância e a separação, a vontade que quer desafiar o tempo e o espaço. ela anda rebelde, essa minha vontade. anda querendo subverter a ordem das coisas, perder-se das regras, mandar às favas a prudência, o juízo e os bons costumes. como boa anarquista que é – afinal é minha e a fruta não cai mesmo longe do pé – ela quer e quer do jeito que for mas quer, quer sem explicar coisa alguma, quer sem precisar de justificativa nem de permissão. quer, e quer, e ponto. e eu também quero. temos querido juntas, apertando as mãos uma da outra, aninhadas na mesma urgência ofegante, transbordadora. por ora, penso que só ela me compreende e eu a ela, e por isso estamos juntas, uma bem misturada à outra sem saber onde se começa e onde se termina. queremos. eu quero. e você?

foto: Renata Penna

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