eu maior

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e de mãos dadas com tudo aquilo que resta e ainda me serve, eu continuo e procuro por aquilo que é bonito, suave, doce. com os olhos ávidos, com o peito afogueado, com as mãos trêmulas de tanto desejo, eu procuro. porque é preciso que a gente descubra essas coisas, todos os dias. porque é preciso que a gente não se esqueça que sim, a vida tem seus meios. de fazer a gente se esperançar de novo. de cavar um sorriso onde parecia que não tinha mais. de varrer o desencanto, a angústia de tudo o que despedaçou. de despertar outra vez a vontade de dançar girando as saias, bagunçando os cabelos, levantando a poeira da terra batida. a vida tem seus meios. ela não desiste da gente, ela insiste, ela faz por onde. e a gente tem que fazer também, uma parte disso é muito nossa, só nossa, e a gente precisa cuidar. procurar. insistir. persistir. e querer muito. porque tem coisas na vida, e as coisas mais bonitas fazem parte deste pacote, que precisa muita querência pra conseguir. muita perseverança e muita valentia para não ceder ao desespero, não curvar os ombros, não ficar no chão. eu sigo pisando com os pés descalços, os joelhos já praticamente sarados do tombo e as costas ainda um bocado doloridas do peso demasiado que quase que me derruba – mas é quase, porque eu sou mais. e maior. e mais grande, que mesmo sendo coisa dita do jeito errado tem uma ideia bem certa que eu quero pra mim. é, eu sou mais grande. bem mais.

foto: Renata Penna

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