trampolim

bzgeribatartarugajfernandesP-166

quem foi que disse que não se pode ter tudo? por que é que a gente aceita de cabeça baixa esta verdade tacanha e pobrinha: de que é preciso escolher. de que é preciso separar com a ponta dos dedos, de que é preciso deixar ir ainda que seja importante, ainda que possa ser bonito. como se amar grande e sem divisória, sem carecer de etiqueta, fosse coisa feia, coisa que fere, que ofende. como se amar inteiro de coração aberto fosse algo para se ter vergonha, para encolher num canto e guardar no armário, no escuro, no limbo. como se amar fosse coisa para se fazer com economia, discrição, em silêncio, por trás da porta. não é. amar é a capacidade mais bonita que o coração da gente tem. é dádiva. é privilégio. e quanto mais a gente ama, mais lindo fica. amar inteiro de braços abertos, sem qualquer traço de medo, devia ser motivo de orgulho. coisa para se espalhar por aí, ufanando. um coração destemido e intrépido que ama sem grudar etiqueta, sem dividir em escaninho e sem fechar portas, é coisa pra gente ficar feliz de ter. ah, esse mundo é besta, tão besta. tão errado. nele a gente aprende a envergonhar e enrubescer pelo que devia ser erguido bem alto pra mostrar pro mundo, porque é conquista. nele a gente aprende a apertar bem os dedos das mãos e cerrar os dentes num esforço bestial de guardar só pra si o que devia ganhar mundo, devia ser pássaro solto no vento, devia ser vôo, devia ser pipa perdida do fio das mãos do menino dançando bonito bem lá no alto, em rebeldia. amar bonito é assim, não dá pra segurar entre os dedos. amar bonito transborda, exagera, transcende. é. assim faz sentido, assim é doce e suave e ao mesmo tempo furacão. amar é desse jeito, ao menos pra mim. e penso que se pode aprender. quem quiser, se quiser. e se não, bem. é continuar aceitando o cabresto, é deixar o coração embotar amando pequeno, amando dentro da caixa, amando esse amor quadrado que carece de nome e compromisso. esse amor rasteirinho que não pode voar. que é feito pássaro preso na gaiola incapaz de cantar porque já não sabe, porque já não pode, porque lá do lado de fora da grade é que ficou o que era bom: o gosto, o gozo e a alegria. quanto a mim, eu tenho asas de boa envergadura e é no meio do vôo que o meu canto fica mais bonito, o amor é o meu trampolim.

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