a vida é assim mesmo eu quero mesmo é isso aqui

bene-12

‘o medo mora perto das ideias loucas’*, e é pra lá que eu vou. olhar o meu medo com bons olhos, com olhos de ver e de não fugir. vou saborear o meu medo, mastigá-lo entre os dentes, vou sentir-lhe o gosto, saber de que é feito, qual é sua matéria. eu vou pegá-lo por entre os dedos, segurando com cuidado para que não se derrube, para que não se espatife, para que não se faça em pedaços antes que dele eu possa me apropriar. eu vou ficar frente a frente com o meu medo, vou dar-lhe a mão e convidar para que caminhe comigo, para que ajustemos o passo. já que ele existe, e a esta realidade não se pode dar voltas, então eu o aceito. tomo-o como a um amigo querido, alguém que eu acolho com os melhores sentimentos, com os gestos mais carinhosos e as palavras mais doces, para que confie em mim, para que queira abrir-se comigo, entregar-se, render-se. eu não quero vencê-lo – quero apenas que ele tampouco me vença.que ao contrário, ele me ajude. me faça querer ir adiante, ver o que ainda não vi. que me faça saber da coragem que carrego por dentro, aquela de que às vezes me esqueço, vezes sem conta. quero estar afinada e acima de tudo, capaz de caminhar. e de querer, como quis sempre tanto. é meu verbo este, quizá seja sempre: eu quero.

* trecho de ‘Coisas que Eu Sei’, de Danni Carlos / foto: Renata Penna

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