toda sorte de presente

egotripP-11

e há as vontades. deus, como elas me afogam o peito. vontade disso e daquilo, vontade de um lado e de outro, vontade das coisas contraditórias acontecendo concomitantemente, vontade de tudo e de nada, vontade de engolir o mundo de uma só mordida e sem mastigar, vontade de hipérbole e de redundância, vontade de tudo o que sobra e é em demasia, vontade assim mesmo, somente: von-ta-de, com ênfase em cada sílaba deglutida no estalo da língua no céu da boca, um saboreio com barulho e sem vergonha, assim de peito aberto e cara lavada. eu tenho muita vontade, e ao abrir os olhos pela manhã nascem-me algumas mais, todos os dias sem faltar um, e isso às vezes me cansa um bocado, fico exasperada e empapuçada de tanto rebolado me agitando o coração. nessas horas preciso parar e encontrar um canto silencioso onde eu não deseje, apenas isso: onde eu não queira nem almeje coisa alguma, e meu desejo possa apenas repousar. ressonando baixo, feito criança dormindo no colo da mãe. aquela alegria, aquela paz. a paz do amor serenado, do que apenas é sem querer ser. mas veja você como sou toda contraditória e teimosa: essa paz, eu a desejo, com ardor, com paixão e com loucura. sim, eu sou incorrigível.

foto: retrato pelos olhos da filha caçula

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s