do emaranhado

bzgeribatartarugajfernandesP-189

era a angústia primordial do labirinto. as respostas fugidias, ariscas, impossíveis. o olhar perdido, em busca, aflito, exausto. para todos os lados, e ainda assim, desencontrando. o lamento miúdo, quebradiço, agoniado, sem a esperança que já se foi. os pés calejados, doloridos, à beira da desistência. o bater de cabeça infinito e o repetido tormento de acreditar outra vez que sim, por fim, que agora se encontra a saída e se põe um ponto final à comédia de erros e quando se vê, era apenas mais um engano para somar-se a todos os outros, passados, presentes, futuros. e o que foi, afinal? quando aconteceu? como se deu o desenrolar da tragédia – seria cômico se não fosse comigo, quem sabe -, ela nem sabe dizer. não saberia contar a história, detalhar o encadeamento dos fatos, pois para si foi como acordar de repente de um sonho bom e descobrir-se expulsa do paraíso. qual teria sido o pecado, o erro, o crime? alguma palavra dita, talvez. algum gesto desastrado, alguma escolha mal feita, algum passo em falso. alguma intenção megalomaníaca de tornar maior e melhor o que já era bom, o que já merecia ser chamado de felicidade. ou o engano original, no princípio de tudo: a ingenuidade de acreditar em algo apenas bom, bonito, limpo, significativo por si. a pureza irresponsável de permitir-se imaginar que seria isso, o suficiente. algo a encerrar-se em si mesmo e recomeçar, continuamente. a inocência exagerada de abrir-se sem reservas ao que não trazia qualquer garantia. a a boa fé pueril, o olhar bondoso de criança que não desconfia, ao contrário: entrega o que tem. talvez fosse isso, lá no início, talvez tivesse sido esse o deslize: doar-se, sem possibilidade de tomar de volta o que era dado, sem rota de fuga para o momento do desengano, sem um coração de reserva para substituir aquele que se despedaçasse, como quiçá aconteça sempre. talvez fosse isso, o imperdoável. o inaceitável. o impossível de corrigir. talvez fosse, talvez. e se, então, para onde ir? ah, se ao menos esta resposta, ao menos esta, por misericórdia, estivesse ao alcance da mão.

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