matando a sede na saliva

dia16empenedoP-31

cá estou, respirando. sem pressa. sem susto. silenciosamente, sem alarde. no meu canto, apenas mirando a vida de rabo de olho enquanto ela passa, rebolando, despreocupada. é um breve intervalo, já sei, não há de durar. antes que se perceba, já será de novo tempo de arregaçar as mangas e moldar o barro sujando as mãos, o suor escorrendo pela testa e a vida acontecendo alucinadamente, caleidoscopicamente. poeticamente, a seu modo. mas por ora, apenas por ora, eu me permito. eu fico. eu me resguardo. eu descanso e cochilo e sonho pequenas delicadezas. eu falo baixinho, conto dos detalhes, da poesia escondida e digo para mim, apenas para mim. digo as coisas bonitas que o coração anseia, quer escutar, quer saborear. eu sacio a minha vontade, mato a minha própria sede, e repouso. e como a criança que se esquece da vida recortando figuras inventadas na imaginação, eu fico. com vagar. sem pesar. recorto flores, gaivotas, picolés. e enquanto o vento arrasta as nuvens de um lado a outro, povoando o céu de figuras simpáticas que convidam a gente a fantasiar, eu me refaço. vou encontrando de novo o espaço do sorriso, da leveza. o espaço da alegria. um espaço que é meu, e onde eu existo mais satisfeita.

foto: Renata Penna

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