não é o que não pode ser que não é

dia16empenedoP-17se ao menos tivesse me sobrado a saudade, entende? seria alguma coisa. faria peso, ocuparia espaço. os dias não amanheceriam tão desprovidos de sentimento, tão opacos. mas nem isso – a saudade se esvaziou bem rápido, numa ligeireza tamanha que eu nem me apercebi do fato, apenas olhei, apalpei-me por dentro e ela não estava mais. ficou alguma tristeza, um tanto de decepção, um gosto amargo de desperdício, de energia jogada fora, de tempo mal aproveitado. mas mesmo isso tudo é pequeno e não dura, é coisa tão insignificante que nem chega a ocupar o lugar. fica mesmo aquele assento vazio, aquele algo que foi um dia e simplesmente deixou de existir, como se tivesse evaporado, como se não tivesse sido coisa alguma, como se apenas se tivesse imaginado. é um tanto patético, um pouco risível. eu quase acho graça. quase me rio. daqui a um tempo quem sabe, eu realmente me ria disso ou até gargalhe. talvez não – talvez permaneça em mim fazendo-me ridícula companhia apenas o nada, a dissolução. talvez só desapareça, sem deixar qualquer vestígio, sem ficar na lembrança. nuvem que se dissipa sem chuva. talvez fique sendo somente silêncio. ou nem isso, porque o silêncio é bonito, e tem muita valia.

foto: Renata Penna

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