dos embaralhamentos

grimmagresteP-15e depois de tudo tenho cá sentido este embaraço, um nó no peito e na boca do estômago, um embrulho nas ideias e um atrapalhamento constante dos pensamentos que se atiram uns por cima dos outros, brincando de misturar-se e desafiar as minhas coerências, fazer troça das minhas certezas. os meus lábios ficam às vezes felizes e querem dizer coisas bonitas, coisas de alegria, querem cantarolar delicadezas, detalhes, poesias que encontro escondidas nos cantos, nas quinas, por trás dos armários, sob a sombra das árvores. mas então eu novamente anoiteço, os olhos embaçam, as ideias escurecem e o coração suspira, à procura. em busca. de quê, eu me pergunto e não encontro resposta, porque há ainda tamanho mistério e tanto que apenas se insinua, que meus olhos apenas adivinham e a alma deseja, ardentemente. há uma outra que também sou eu ali, dobrando a esquina. ela me estende as mãos e aguarda, paciente, que eu seja capaz de alcançá-las. e a hora vem chegando, avizinha-se, colorida, sedutora. sei que será bonito. e também sei que não adianta pressa, porque tudo tem sua hora. as coisas vêm a seu tempo, que é nosso e também não é. então há uma parte em mim que é espera simplesmente, mas a outra é trabalho árduo e cuidadoso, é mãos à obra, na massa. moldando. querendo. fazendo ser.  acreditando de olhos fechados e mãos unidas como em oração, aos soluços. mas sem deixar de empunhar o facão com valentia e abrir picada. é assim: fé em deus e pé na tábua.

foto: Renata Penna

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