o inferno são os outros

aguabca-15há em mim uma solidão constante e definitiva que não se mistura nem se submete a coisa alguma que me seja alheia, em última instância ela sou eu. a minha solidão me habita em definitivo, de maneira irreversível. ela corre pelas minhas veias e ocupa todos os espaços do meu corpo, eu a inspiro e expiro continuamente todos os minutos de todos os dias, ela repousa na minha medula e é, em parte, o que me põe de pé. sou antes de tudo isso, uma solitária. falo sozinha. tenho longos diálogos comigo mesma, e digo coisas que qualquer outro que não eu mesma seria incapaz de compreender. é meu encontro diário com o que me define, com tudo aquilo que nomeio como sendo parte necessária à minha sobrevivência, com tudo o que me forma e me torna exatamente quem sou. olho-me no espelho todos os dias e me reconheço, sinto-me em casa. de algum modo isso é bom, embora doa. ser solitário às vezes é frio. porque há em mim um infinito que nenhum outro alcança e sobre ele não posso trocar ideias, fazer conjecturas ou compartilhar impressões. é MEU, com maiúsculas. isso é bonito, daquele bonito que roça por dentro e embrulha o estômago e faz ter vontade de dar pulos. eu tenho vontade de dar pulos, todos os dias. em silêncio povoado, solitária. entre as minhas quatro paredes.

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