e porque o amor me escolheu

BeFunky_eucomfilhotaspacaCTjpgessa noite, foi assim: eu chorei de saudades. vocês dormindo no quarto ao lado, entre sonhos e lençóis amarfanhados, e eu agarrada ao travesseiro, pranteando um choro miúdo, agarrado na garganta, cheio de pequenos soluços. porque o tempo vem passando depressa demais. porque vocês têm crescido numa velocidade desconcertante, porque tudo o que já fomos vai ficando pra trás sem cerimônia e eu fico sozinha com este aperto no peito, com estes desejos de agarrar as horas, os dias, os meses, os anos. pegar o tempo pelo colarinho e fazer ele se aquietar um pouco, ralentar a cadência, demorar-se pelos cantos enquanto a gente se enamora de cada instante bonito – porque todos os insantes que a gente passa juntas são tão bonitos, todos. eu tenho aprendido muito com vocês que o amor é isso, é estar presente e inteiro diante do outro e de boca aberta engolir o que vier, não negar-se ao que dói nem ao que ilumina a gente pelo lado de dentro, encarar tudo o que é vivo com valentia, agarrando a vida à unha, sem encolhimento. e no que eu sou hoje que é tão diferente do que já fui, tem tanto daquilo que vocês fizeram de mim, sem esforço e pelo simples ato de existir no mundo, de me pegar na mão, de dizer uma palavra qualquer enquanto sorriem aquele sorriso comprido de uma orelha à outra. e eu gosto tanto tanto de ser hoje assim diferente do que já fui, eu gosto tanto desse emaranhado de coisas doces e inteiras e delicadas e fortes que vocês apontaram pra mim e seguem apontando, todos os dias quando a gente sai e pisa o chão e encara a barra de viver, e a boniteza também, e assim: juntas. e tudo isso é tanto que eu queria mais, eu queria de novo, eu queria por um tempo indefinido e bem esticado, eu queria pegar cada minuto e embrulhar com papel brilhante e guardar no fundo do armário ao abrigo da luz para não estragar, eu queria economizar para comer depois como a gente faz quando tem nas mãos o doce favorito, eu queria me empanturrar daquilo que já se foi e lamber os dedos mastigando a saudade, essa que dói lá bem do lado de dentro porque a vida é depressa demais. eu não sei se faz algum sentido, esse labirinto de palavras e sentires e olhares desaguados de uma vez só nessa carta – será isso uma carta? – escrita de modo tão caótico, mas no fim o que eu queria dizer era simples, era comezinho, e no entanto era o mundo inteiro, era o meu mundo inteiro: eu não sei quanto o mundo é bom, mas ele é melhor desde que vocês respiraram pela primeira vez. e eu sou também.

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