a balada do louco

santanaP-19sou uma pessoa deveras teimosa. às vezes a vida me pede que repouse, que sossegue, que esteja tranquila e silenciosa diante dos acontecimentos, que respire bem fundo e faça movimentos leves e cuidadosos, mas aí então eu me agito, fico ressabiada e não sei aquietar. e quando me pedem serenidade é que pareço estar mais desassossegada do que nunca, tamborilando os dedos em qualquer superfície plana, mordendo os lábios em sinal de nervosismo, ruminando pensamentos desconexos um atrás do outro, incessantemente. nessas horas, aconteça o que acontecer eu não silencio, não descanso, não repouso. respiro rapidamente, arfando, como quem acaba de correr uma longa maratona e precisa agora recuperar o fôlego gasto pelo esforço além das próprias possibilidades. é que estou atenta, ressabiada e alerta, com os sentidos aguçados e o coração batendo acelerado, retumbante de tal modo que é possível ouvi-lo às vezes do lado de fora. e quando é assim que estou, quero engolir o mundo de uma vez só – tudo o que há seja bonito ou feio, seja amor ou dor, seja encanto ou desespero, tudo tudo tudo, sem mastigar. eu também sei serenar, mas reconheço quando não é a hora, quando o que me habita por dentro não o permite. por ora, não cabe o silêncio – eu quero o som e a fúria. e um tolo contando em off a minha história, que há de significar nada.

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