pois foi por água baixo aquele nosso plano infalível

transarqui-41eu imaginei que hoje seria melhor, sabe. sei lá porque. eu imaginei que hoje o dia ia estar mais ensolarado e a brisa ia estar mais fresca e as pessoas iam cruzar comigo na rua um pouco mais felizes e mais dispostas a sorrir para que eu pudesse então sorrir de volta sem me sentir uma completa idiota, eu imaginei que hoje dizer sim seria mais fácil, aceitar, acolher, compreender. eu imaginei que hoje as coisas fariam mais sentido, deixariam de se parecer com um quebra-cabeças mal encaixado, com uma pintura surrealista ou uma cena de um filme de quinta categoria, daqueles que passam em sessão no meio da tarde com ingresso quase dado de graça. eu imaginei que hoje eu teria mais forças, que os meus pés não doeriam mais, que a cabeça não me pesaria tanto sobre os ombros e eu conseguiria respirar bem fundo, enchendo os pulmões de ar e quem sabe, se não fosse pedir demais, de esperança também. eu imaginei que tudo poderia ser diferente, apenas isso, e tão bobo isso, ser diferente, apenas, ser. diferente. eu imaginei que as coisas poderiam de novo ser boas por um dia inteiro, da primeira hora do amanhecer até o último minuto da noite antes de botar a cabeça no travesseiro e dormir pesado um sono desprovido de sonhos, daqueles que se parecem com uma quase morte. porque houve um tempo, veja, eu ainda me lembro, houve um tempo em que as coisas eram, sabe. boas. apenas. assim, simplesmente. houve mesmo esse tempo. ou, será. houve mesmo esse tempo?

título: da letra de paulinho moska

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