o fluxo

Enrico3_FM-296“liberdade? é o meu último refúgio, forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre. e quero o fluxo.” *

caminho adiante, por entre as pedras. sinto correr o fio de água gelada por entre meus dedos, aprecio a sensação suave e definitiva de estar, finalmente, entregue. sem saber a quê, sem querer respostas. a vida corre, a vida jamais estaciona, há que deixar-se correr. fluir-se, como as águas. sem paradeza, tampouco com pressa. o que acontece tem força, e tem seu tempo. caminho adiante e não volto a cabeça para trás, não há coisa morta que valha a pena: o que brilha e tem boniteza está sempre ao redor, existindo, sendo, presente. estico as mãos para alcançar o que me desperta os sentidos, neste bonito instante que é tudo o que há. a vida é um constante chamamento sem saber a quê. e eu, assim é que sou feliz, a meu modo: afogada em mistérios, rodopiando por entre interrogações e pedaços desconhecidos daquilo que também sou eu. tenho poucas respostas e muitas perguntas, tenho em mim uma sede que não se sacia nunca, uma aflição constante, uma necessidade perene de algo maior, algo que não enxergo a não ser com os olhos da alma e entretanto cobiço como se soubesse do que se trata. de algum modo sei, sem carecer de explicar organizando de modo que se possa entender. não se presta ao palavreamento, apenas é. está. existe. sobrevive. em mim.

sou uma criança, não entendo nada, e ser livre é a minha maior travessura.

* Clarice Lispector

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