das despedidas

querid@s,

ontem à noite meu pai se despediu de seu corpo, desta vida e deste plano, depois de um longo período de agonia no hospital.

agradeço a todos os amigos que estiveram comigo, oferecendo colo, carinho, escuta e amparo nesses tempos doloridos. agradeço a todos que compartilharam conosco a hora do adeus, numa celebração leve, alegre e feita de amor e amizade, como teria sido da vontade dele. agradeço a todos que, mesmo de longe, não podendo estar fisicamente presentes, mandaram boas energias e palavras de acolhimento. agradeço a todos que, mesmo sem saber exatamente o que estava acontecendo, emanaram boas vibrações de luz e paz, ao perceber que algo não andava bem.

a despedida nunca é fácil, e a gente nunca se prepara o suficiente. é sempre cedo demais.

estou hoje afogada nos meus adeuses, acolhendo a dor e agarrada à esperança de que ela logo há de se transformar em gratidão e saudade. sobretudo, alimento-me agora mais do que nunca do amor por esse cara tão cheio de virtudes, tão cheio de defeitos – como somos todos-, com quem tive uma história conturbada, cheia de idas e vindas, mas sempre marcada pelas tentativas constantes de estar junto da maneira possível, fazendo da mistura de nós dois o melhor que podia ser.

‘e quando a vida dói,
eu procuro me concentrar
num caminho fácil’

pai,

me despedir de você foi a coisa mais difícil que eu já fiz na vida. doeu muito. está doendo muito. e ainda há de doer, por um tempo, e tudo bem. eu aceito, e agradeço por poder sentir.

no último mês, entre visitas ao hospital e expectativas constantes da despedida, sonhei muito com você. nos meus sonhos, éramos sempre quem fomos: você ainda o sujeito de olhar malandro, sorriso largo e riso inconveniente, que se recusava a levar a sério o que quer que fosse; eu, ainda a menina encabulada de dez anos que encostava a cabeça no teu colo e te ouvia cantar gatinha manhosa, fazendo de conta que não sabia que aquela canção não tinha sido escrita pra ela.

essa menina de dez anos te amava com toda a força da sua inocência.

em algum lugar dentro de mim, eu vou ser sempre aquela menina de dez anos. e é nesse lugar que você vai viver comigo pra sempre.

‘vai com os anjos, vai em paz’

te amo.

wellin_cris_re

Anúncios

Um pensamento sobre “das despedidas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s