e apesar dos perigos

somos quem podemos ser, e isso às vezes dói porque não basta, queremos mais. ser diferentes, melhores. ir adiante. dar mais passos do que os pés aguentam. e é preciso ter paciência consigo, ser tolerante, caridoso, compreensivo com as próprias limitações, com as impossibilidades que nos habitam e por ora não fazem menção de afastar-se nem dar-nos espaço para respirar ou ser outra coisa que não isto: o que é possível, o que nos alcança, o que nos cabe. há um tempo para todas as coisas que carecem de maturação, e se se apressa a florada ela não acontece. o que é bonito morre antes de nascer, se se tenta arrancar com as mãos ao invés de esperar que brote, a seu tempo, pacientemente, como tem de ser. então espera-se. e chora-se, chora-se muito, sem economia de lágrimas. e é legítimo que se pranteie a dor daquilo que não se pode ser, ao menos por ora e por mais que se almeje, por mais sincero que seja o desejo de poder aquilo que não se pode – ainda, talvez. e quando cessa este pranto, quando secam as lágrimas, quando a dor se aquieta no mais fundo do peito, então é preciso aceitar. acolher-se. e dizer em voz alta do nosso direito a não ser por ora o mais que exigem de nós. o direito humano de ter as mãos sujas e os gestos estabanados, e errar, em desespero. ridiculamente, apenas porque às vezes é só o que se tem a dar. seja como for, haverá um amanhã. e será sempre um novo dia. e uma nova chance.

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