do que há de meu em mim

renata‘eu pus os meus pés no riacho / e acho que nunca os tirei’, é como me sinto. de alguma maneira ainda estou ali, os pés em repouso na água gelada, os cabelos soltos dançando conforme a música do vento, os olhos bem abertos, as mãos estendidas tocando a grama gelada que me rodeia. sim. estou ali. em meio ao caos que é a minha paz. embriagada de mim. o móbile, solto no furacão. e ali permaneço sem pressa de ir para onde quer que seja, sem dizer palavra, ouvindo os ruídos da correnteza às vezes suave, outras vezes feroz. vão-se os anos, mas de alguma maneira ainda sou a mesma apesar do tanto que cresci, de tudo o que vivi. algo permanece, insiste, persiste. não é pequeno. não é pouco. há algo em mim que recusa a mudança, recusa deixar-se transformar: quer ser o que é, como é. assim, com tamanha simplicidade. exige o direito. mastiga a liberdade por entre os dentes, de boca aberta, com barulho. sinto algo que intuo que posso chamar de felicidade, porque o que há em mim na beira do riacho é bonito, é inteiro, é presente. sou eu, em minha essência mais corajosa, desprovida de qualquer vergonha. de rosto erguido diante do mundo, em desafio. pés descalços. alma curtida. coração remendado, enamorado e contente. e o suspiro. o suspiro. ah, a vida é uma coisa bonita.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s