certa manhã acordei de sonos intranquilos

foi uma noite estranha, essa. poderia culpar o calor excessivo ou a agitação inesperada antes de deitar, mas a verdade é que a inquietação, longe de estar do lado de fora, repousava em mim, por entre os meus pensamentos. dormi mal, acordei várias vezes ao longo da noite, de sobressalto. tive uns sonhos estranhos, enigmáticos, desconexos. lembrei-me de todos eles ao acordar, às vezes com minuciosos detalhes desconcertantes, mas não conseguia juntar os pedaços, entender onde as coisas começavam e como terminavam, se é que terminavam. penso que despertei de cada um deles eles em meio aos acontecidos, evitando os pontos finais. fiz nos sonhos como tenho tentado fazer na vida: fugi aos encerramentos e às despedidas, furtei-me de dar os adeuses necessários e me escondi pelos cantos, esgueirando, para não ter que lidar com o inevitável. patético, não? sim, bastante. reconheço. de qualquer maneira amanheci, como não podia deixar de fazer nem que quisesse. coloquei os pés para fora da cama e respirei bem fundo, na ânsia de puxar para dentro uma coragem que não me pertencia. mais um dia. vinte e quatro horas ou algo assim – contando que eu durma nem que seja um pouco na próxima noite – para serem meticulosamente desperdiçadas com pensamentos inúteis que, ao findar o dia, me levarão ao mesmo lugar. para quê, eu me pergunto, e não ouço resposta. apenas o meu eco, repetindo a mim mesma infinitamente: para quê. a resposta, quem sabe, será esta mesma. para que. para, que. será isso. talvez. sim.

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