o barulho do cabelo em crescimento

o problema com as palavras é que são insuficientes. não continuamente – há tempos em que podemos fazer belíssimo uso delas e de suas capacidades, o que resulta em infinita poesia e em epifanias comunicativas que nos comovem sobremaneira, a nós, seres emotivos e carentes de contato -, mas por vezes. há ocasiões em que por mais que se busque não se pode encontrar a palavra exata, precisa, correta, coerente, que comunique aquilo que nos vai por dentro, o que sentimos, em cuja lama nos debatemos. de modo que ficamos ali, desamparados, reféns. afogados em um pântano de palavras mal ajambradas, inúteis, patéticas, enquanto ansiamos por aquela que não veio: a palavra justa, impecável, sublime. são estes os momentos que nos lançam a silêncios compridos, dilacerantes, opacos. silêncios que nos mantém encarcerados, como antigos prisioneiros de guerra de cuja cela foi perdida a chave. silêncios que nos criam escaras profundas, e não se vão sem esquecer conosco cicatrizes perenes. tenho estado afogada nestes silêncios. lancinantes, pungentes, inevitáveis. não há rota de fuga. não há porta dos fundos. não há pílula ou método que os transforme em outra coisa. não posso esquivar-me deles, pois me habitam. embrenharam-se pelo meio dos meus músculos, correm em minhas veias, acomodaram-se misturados às minhas vísceras. tenho, portanto, que ceder. e ter paciência. as palavras, não quaisquer mas as melhores entre todas elas, as mais reluzentes e destacadas, sempre foram minhas camaradas. ao fim dos desentendimentos, sempre nos abraçamos, em êxtase. sim, havemos de nos entender mais uma vez. quando chegar a hora. que não será a minha hora, será apenas isso: a hora.

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