novo

2021.

começa hoje um novo ano.

e daí? eu me pergunto.

coisa besta essa, da gente achar que alguma coisa vai mudar porque o relógio passou de 23h59 de um dia para 0h00 de outro, assim, bovinamente. mas a gente se apega a coisas estúpidas para sobreviver, a gente se agarra a quaisquer migalhas de fantasia, de fé, de sonho. bicho esquisito esse, o humano.

então é isso, ano novo. e mesmo que não seja novo, mesmo que seja igual e um contínuo do que já vinha sendo, a gente bota o nariz na janela e respira bem fundo e se permite afiançar numa coisa qualquer que há de vir para mimosear, afagar por trás das orelhas e lançar a gente num instante que seja de trégua de tanta desordem, de tanto rebuliço, de tanto alvoroço.

eu, por mim, de respirar fundo já me contento. por ora me basta.

sei que é pouco. quase risível. parece piada, chacota. mas a mim, transborda. inspirar e expirar com calma, sem afoiteza, sem que me apressem o ritmo, sem que me obriguem a cumprir prazos ou a obedecer a determinações de qualquer espécie, por ora se me apresenta como um pequeno prodígio que a vida delicadamente me presenteia. eu aceito. pisco um olho disfarçadamente, e agradeço, em silêncio. sei que ela me alcança o significado do gesto.

do ano que chega, por enquanto, eu peço que venha na paz e que me deixe aqui. a respirar. na calma. na batida suave.

é pouco. e é muito.

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