e vem ver o sol nascer

foto: renata penna

o que tenho a dizer hoje não é muito, mas é muito: sinto-me menos cansada.

um pequeno grande triunfo esse, já que há tanto tempo, um tempo que nem sei mais contar, todo texto que eu pensava em escrever (e acabava nem escrevendo, tamanho o fastio que me provocava apenas a ideia de começá-lo dessa maneira) principiava com ‘eu me sinto tão cansada’.

dominava-me um cansaço que ocupava tudo. esparramava-se por tudo. estendia-se por todos os espaços, por todas as vontades, todas as nuances, todas as tentativas, tudo tudo tudo tudo. como se nada em mim fosse capaz de esquivar-se desse esgotamento, e ele se espalhasse sorrateiramente por cada membro, por cada órgão, por cada fibra, por cada célula do meu rendido ser. assim foi, por um tempo bem comprido. talvez volte a ser. não sei. não me cabe devanear a respeito, nem quero.

por ora tenho acordado sorrindo, o que já é bastante. o sol, alegre e incandescente, entra pelas frestas da porta de persiana que me separa do mundo – ah, o verão, desde sempre e para sempre minha estação favorita! – , me convida a pisar o chão com os dois pés descalços e eu, espantosamente, aquiesço. levanto-me, respiro fundo (o milagre do ano) e me permito começar o dia sem grandes expectativas, mas com muita vontade de abraçar o instante seguinte. e depois o outro.

o presente tem sido mesmo meu melhor presente.

(às vezes, os clichês são tudo o que nos resta. há uma razão para terem se tornado clichês, afinal.)

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