teacher leave the kids alone

o dilema da educação formal me parece mesmo sem solução.

pais e mães não querem que as crianças sejam felizes na escola, talvez porque eles mesmos não foram, numa perpetuação infinita do sofrimento estudantil de aprender tediosamente uma lista interminável de coisas que não nos interessam, não nos despertam a curiosidade e não vão nos servir para coisa alguma ao longo da vida. não, não acredito que pais e mães sejam sádicos incorrigíveis a deleitar-se com o sofrimento de seus rebentos, apenas entendo que na equação da escolha da escola e do acompanhamento da educação dos filhos, a alegria e o prazer em aprender não me parecem estar no topo da lista de prioridades da maioria das famílias, não porque não o desejem, mas porque simplesmente não consideram aprender e prazer como dois conceitos que possam ser combinados de maneira satisfatória. é aí que entra o “ir à escola é chato mesmo, na minha época eu só gostava mesmo do recreio, aprender é chato, faz parte”.

enquanto isso, sentamos as crianças em carteiras enfileiradas (ou organizadas de maneira circular, nas escolas que se metem a diferentonas, ou, para falar da nossa triste realidade atual, em cadeiras mais ou menos confortáveis diante dos computadores domésticos) e esperamos que abram suas cabeças como contâiners, para que possamos então despejar ali todo o conhecimento que se julgue necessário. imagine uma betoneira despejando cimento em um recipiente vazio. é por aí. o conteúdo, assim como o cimento, sai da forma quadrado, rígido, imutável. impessoal, igual para todos.

o conteúdo, em uma trajetória sadia e significativa de aprendizado, deveria ser uma consequência, e não o fim em si mesmo. aprender é abandonar-se a uma ideia, é tomá-la pelas mãos e bailar com suas nuances, experimentar suas possibilidades, descobrir onde aquilo nos afeta e trocar com os afetos do outro. é absorver com os olhos, com as pontas dos dedos, com cada sinapse do cérebro, que se agita, contente por se deixar afetar. jamais engolir linhas amontoadas de ideias mortas para cuspir em uma avaliação ali adiante.

o próprio MEC já fala em habilidades adquiridas, ao invés de tópicos de conteúdo. entre as habilidades esperadas a cada etapa da educação formal, espera-se que o aluno aprenda a refletir sobre o que lhe é apresentado. ora, como refletir sobre conteúdos mortos, engessados, pré-moldados sem considerar a maravilha da interação professor – estudante – turma, onde a mágica da educação viva efetivamente acontece?

gerações têm saído da escola detestando a escola. muitos amam as lembranças, as relações, o ambiente, a época da vida. poucos amavam as aulas em si.

seguimos passando para nossos filhos essa herança tristonha, desoladora: aprenderás com dor, ou, se estiveres entre os mais sortudos, apenas com tédio.

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