e o sonho fatalmente viraria pesadelo,

captura-de-tela-2017-01-16-as-10-19-34inclinou-se para fora do carro e no movimento pisou sem intenção a poça de água da soleira da rua e molhou as pontas dos dedos, ideia estúpida sair de sandálias, desnudar os pés estando a alma já tão em carne viva, desproteger o resto do corpo desnecessariamente parecia uma tolice inaceitável, ingenuidade de quem vive sem cautela e sem medir as dores para que não transbordem enquanto se olha para o outro lado, de quem se dá ao acaso distraidamente e por isso padece, deitou para trás o pescoço procurando enxergar o sol, semi cerrou os olhos instintivamente, o céu branco, que dia branco meu deus, chegava a ser crueldade tamanha brancura do lado de fora e o cinza desbotado lhe corroendo por dentro, empurrou de volta a porta pesada em um esforço dolorido para em seguida assistir o arranque do veículo em um guincho de animal sacrificado e então ali estava, parada no meio da rua atrapalhando a passagem, desequilibrando-se a cada esbarrão apressado que lhe castigava a inércia, foi difícil dar o primeiro passo porque ela o temia como se fosse o princípio de algo novo que já sabia que não seria alegre, nem suave, nem bom, sentia-se muito cansada, como se o diálogo que travara há pouco afundada no banco do carona lhe tivesse consumido uma a uma todas as reservas de energia, de esperança, de sentimento, de tudo, ainda assim conseguiu caminhar uma quadra, o que já foi muito, e logo estancou sem ar, a respiração difícil, o nó na garganta, pensou que poderia morrer ali, precisamente ali, naquela esquina, por entre os passantes, recostada no muro pichado, abandonada no asfalto engordurado, bem perto da lixeira, jogada fora, olhou para um lado e para o outro e não reconheceu coisa nenhuma, não sabia onde estava nem para onde deveria ir, não reconhecia aquela rua, nem aquele espaço, nem aquele tempo, não reconhecia aquele dia, aquela hora, aquela não era a vida que havia se disposto a viver, aqueles não tinham sido os seus planos, havia sido cruelmente enganada e se naquele exato momento tivesse ao alcance da mão um espelho certamente não veria nele o reflexo da pessoa que um dia pensara ter sido, pensou então em ir para um lado, depois para o outro, pensou apenas seguir em frente mas não soube escolher como não soubera nunca, todos os caminhos pareciam escuros e desconhecidos, ameaçadores como era a vida e como prometia ser dali por diante, ameaçadora e fria, vivida solitariamente e sem muletas, encolheu-se lentamente junto à soleira de um estabelecimento qualquer que se encontrava fechado como todo o resto, como a porta da felicidade se é que havia uma, se é que isso existia, recostou-se e chorou baixinho para não chamar a atenção (porque há estes momentos em que só o que se pode suportar é o anonimato, tudo o mais exagera).

e quando você voltar,

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engraçado isso: como a vida dá voltas. clichezinho barato dizer isso, eu sei. mas tão verdade. às vezes é assim, puro redemoinho. um embaraço, um emaranhado. eu e você, por exemplo. pensei agora na gente, em tudo aquilo que já se passou, e sorri. de canto de boca. assim, como quem se apercebe de uma ironia muito brincalhona da vida. porque é muito isso, pensa comigo: a vida, dando as suas voltas. as idas e vindas, e os desencontros todos, como se alguém no controle de tudo se divertisse embaralhando as cartas do modo mais improvável, afastando as duplas, desfazendo as trincas, impedindo o jogo de se encaminhar, bonito, suave, para um fechamento qualquer. o barco aportando no cais onde por tanto tempo esteve alguém ali, de braços abertos, à espera. de quê?, você me pergunta. sei lá, sabe. amor. acolhimento. amizade, aquela coisa de olhar junto pra vida e seguir caminhando, puxa, sei lá. tanta coisa. tanta espera, tanto sonho. tudo coisa que era grande, mas como o tempo ficou pequena, quase risível, sabe. e de repente num fim de tarde tristonho e avermelhado o barco chega, aporta, repousa. e do outro lado, ninguém. um esquecimento e o vento soprando, cantarolando sozinho uma melodia desencantada. o que era pra ser, bem. eu ia dizer que o que era pra ser ficou perdido em algum lugar, mas pensei melhor e sabe, não era pra ser. se fosse, teria sido, acontecido, inevitável. então era isso mesmo, era o destino dessa história que foi quase bonita, acabar assim: dissolvida na areia, na espuma dos tempos, num fim de tarde sem chuva. e sem choro também. 

dicionário

aguabca-25“e conhecê-la faz do passado um mero ensaio, um treino antes de ser exposto à sua incandescência.” *

lá fora, a tempestade. os pingos grossos de chuva a escorrer pelo vidro esfumaçado e do lado de dentro, ela esticada na cama. os pés para fora do colchão, os cabelos negros indisciplinados espalhados pelo lençol, as mãos miúdas repousadas sobre o travesseiro, a brancura da pele a confundir-se com os lençóis de linho passados com primazia. pensou consigo que ela em si, apenas existindo, era uma afronta às limitações da vida possível. tudo em demasia: ela era bonita demais, marcante demais, perfeita demais, tudo nela exagerava, gritava em maiúsculas, ocupava todos os pensamentos. ou talvez apenas ele a visse dessa forma, dada a magnitude do sentimento de ternura que lhe consumia por dentro: amá-la lhe concedia uma aura divina, solene. o amor que lhe dedicava, por sua intensidade, tomava conta de tudo, ressignificava todas as coisas que haviam, como se nada pudesse ter existido antes que ela viesse para trazer o sentido das coisas, para realinhar o caminhar das horas, para reorganizar o caos em uma nova explosão. ela, em sua história, era isso: a vida em seu formato mais puro, o êxtase absoluto, aquilo que sobra quando tudo o que havia na superfície se vai, restando apenas a seiva, o sêmen da vida, a semente. ela era o olho do furacão, um redemoinho de paz e fúria. era a própria vida, acontecendo. a essência. o aleph.

a isso, ele deu o nome de amor.

* Marçal Aquino, in: “Eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios”

do espelho onde ficou perdida a minha face

aguabca-8eu não tinha esse rosto, assim tão opaco. olhei-me no espelho hoje depois de tanto tempo, e tive uma bela surpresa. essas marquinhas pequeninas – talvez nem tão pequeninas, mas permito-me um fio de autopiedade e repito internamente que sim – no canto dos olhos, esse vinco amargo ao redor dos lábios. os fios brancos ganhando espaço em meio ao castanho avermelhado que sempre foi a minha cor. eu não era essa pessoa, eu não era. em alguma curva do caminho, essa pessoa desconhecida que agora descubro ser tomou-me de assalto, no susto, sem ter licença para tanto. olho-me, demoro-me a analisar os detalhes, mas não me reconheço. não nomeio este rosto como algo que me pertença. e foi-se tanto tempo entre uma vez e outra, passei tanto tempo sem mirar-me, tamanho foi o intervalo de ausência em que fugi deste reflexo – e agora sei bem porque – , que de repente foi o chão desaparecendo sob os pés. foi o baque. a rasteira. o tapa na cara. e o silêncio que se seguiu, deixando-me só e abandonada com aquilo que deveria me pertencer, e no entanto me é dolorosamente alheio, estrangeiro, distante. eis o que preciso agora: encontrar em mim esta nova figura, investigá-la e compreendê-la da melhor maneira possível. porque eu goste ou não, não há outro meio: daqui para frente viveremos juntas, carne e carne. ela e eu. ela, que agora sou eu.

pois meu corpo está acostumado

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e naquela tarde quente, o sol rasgando o céu sem nuvens e ardendo na pele, e nós dois. nós dois. naquela esquina calorenta, movimentada. os passantes indo e vindo, e nós dois. a tua mão passeando pelas minhas costas, malandra. a tua boca na minha orelha sussurrando qualquer coisa boa de se ouvir que me fazia sentir arrepio, e eu fui tão feliz. eu quis morrer ali. eu quis uma catástrofe qualquer. eu quis que um asteróide se chocasse com a Terra e tudo explodisse, desaparecesse, cessasse, e nós dois. ali, silenciosos de mãos dadas. sem começo e sem fim, apenas sendo. nós dois. eu quis chorar, de tanto que aquilo era grande. porque doía e me sufocava, o tanto que eu te gostava. o tanto que eu desejava o teu cheiro, ouvir o som da tua voz me dizendo as coisas de sempre, aquelas palavras que eu já conhecia, tudo aquilo que me era tão familiar que eu nem precisava que você dissesse, eu já sabia. porque você vivia dentro de mim, apegado à minha carne, me revirando por dentro. nós dois, a gente era assim, misturado. e eu quis que fosse para sempre, sem término e sem adeus, sem lágrimas. eu quis abolir os pontos finais de todas as nossas sentenças, eu quis que a gente se misturasse de um jeito irreversível, uma entrega tão definitiva a ponto de um ser o outro, eternamente. eu quis. eu quis muito. talvez eu tenha querido demais, mais do que uma pessoa pode suportar querer alguma coisa sem se desintegrar de tal maneira que nunca mais vai poder voltar a ser o que era. e bem, o asteróide não veio. a catástrofe não veio. a morte não veio. vieram as nuvens, o sol se escondeu. a noite veio e estava fria, muito fria. e a tua mão escorregou pela minha cintura, e foi se afastando até desistir. e de repente, eu já não sentia mais o teu cheiro. e a tua voz ficou misteriosa de novo, e eu deixei de saber te adivinhar. foi assim, nós dois, de repente um mais um e só, e eu até hoje não consigo dormir sem teu braço. por que, meu deus, por que eu me acostumei assim?

foto: Renata Penna

a vida que ardia sem explicação

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saí descalça logo pela manhã, o sol mal tinha se animado a nascer e eu já estava cantarolando do lado de fora do portão. os pés desnudos roçando carinhosa e cuidadosamente o asfalto ainda um pouco gelado. procurei pela tua presença na rua adormecida – não era dia de trabalho -, mas não encontrei. nem o teu silêncio havia ficado, até os teus vazios você levara consigo, amarfanhados no bolso de trás da calça, aquele onde você guarda as coisas mais importantes. ah, os teus vazios. eu gostava deles, porque se afinavam com os meus. e os teus desafinos que também eram meus, eram nossos e eu havia aprendido a gostar, ao longo dos anos. embora às vezes eles doessem. vezes demais, talvez. e os anos, bem, não foram tantos assim, mas confesso que por ora parecem ter durado uma vida inteira. uma existência à parte onde as coisas eram bonitas e se encaixavam corretamente, como quebra-cabeças de muitas peças juntado aos poucos na mesa grande da sala. nós fomos nos encaixando aos poucos, o que era meu e o que era seu. e agora eu ali, solitária na sarjeta ressequida  da rua deserta da cidade esquecida sem chuva, enquanto você, sabe-se lá onde. algum lugar bem longe, distante, algum lugar onde eu não alcance. e aqui dentro, apesar da seca, chove. desci a rua, calculando os passos. foram mais de cem, até onde contei. depois me perdi. quando cheguei à esquina, vi um vulto bem longe. pensei que me acenava, talvez até me sorrisse. delírios. desejos. saudades. essa coisa toda. acenei com a mão, só para fazer de conta. e senti uma coisa boa. não sei bem dizer o que, talvez esperança. talvez um princípio de alegriazinha insistente, daquelas que se recusa a abandonar o sujeito, mesmo quando a vida toda dá o contra e diz que não, que não pode ser, que já não é. que já não é. eu sei que já não é. mas talvez ainda possa ser, sabe. não você aqui, mas uma outra coisa. uma nova história rabiscada desde o início em folha branca, e de novo a segunda pessoa do plural com um complemento diferente. uma outra mão juntando os dedos com a minha. um outro cabelo bagunçado para eu me enganchar nas noites compridas, de tédio, de suspiro. um outro sonho, sonhado desde a primeira letra. pareceu-me que podia ser, de repente. sei lá porque, mas foi a certeza que me invadiu: há de ser. novo, de novo. diferente. e aí o sol veio chegando, alegórico. todo sorridente, querendo me lembrar que sim. que sim, meu deus. sim. aí eu, muito satisfeita, olhei bem direto para o sol sem cerrar os olhos nem aparar com a mão. e disse baixinho, bem baixinho, obrigada.

foto: Renata Penna

míngua

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era apenas a mesa do café, ela sabia disso e esforçou-se para não chorar. engoliu em seco, afastou os fios de cabelo que se amontoavam na testa e fez as coisas de maneira cadenciada, rítmica, como quem segue um ritual religioso muito importante. a toalha florida, o pires, a xícara. o prato. o copo de vidro. o guardanapo. tudo no singular. os plurais haviam se extinguido da casa e era assim a realidade presente: una. serviu a mesa como se fosse importante para fazer de conta que era, numa tentativa desesperada de convencer-se que ainda podia ser bom. arrumou as flores ao centro, milimetricamente. o jarro de água. o bolo inteiro, sem faltar uma fatia. ao pegar o vidro de açúcar, lembrou-se: seu café era amargo, como sempre fora. cafés adocicados naquela mesa, não mais. alcançou a cesta de pães. pães, não – pão. a manteiga, a faca. consigo, trazia a fome. fome do que não se serve à mesa. fome da vida que escapara pela janela. fome do nome que não havia podido dizer ao levantar da cama. fome do cheiro no travesseiro do lado esquerdo. fome da mão acarinhando o pescoço. fome dos lábios gelados lhe visitando as orelhas. fome do desejo invadindo seu corpo sem pedir licença. fome do preenchimento dos espaços. fome da simples presença. fome da companhia constante, da palavra doce. fome até da briga. fome até da dor. fome do amor perdido. afastou a cadeira de uma vez só, com barulho. sentou-se pesadamente, mastigou o pão solitário. a seco, sem café. o pão sem manteiga, sem nada. arranhava a garganta, mas era o feito possível. fosse como fosse, não haveria mesmo de lhe matar a fome.

foto: Renata Penna

em seco

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o quarto estava escuro e silencioso, e lá fora a noite chovia. preguiçosa, indolente e vagarosa. de um jeito doído, como quem chora. ela encostou a cabeça no vidro, deixou escorrer o cansaço. das coisas todas, da vida. engoliu um suspiro profundo, magoado. suspiro de saudade. desejo, quem sabe. perdeu os olhos na casa vizinha, as janelas fechadas. pensamento foi longe. distante. lá nas coisas possíveis que a imaginação alcança. pensou em tudo o que podia ser e não era. quis ter diferente. quis ser de outro jeito, viver outra história. olhou os próprios pés: pequeninos. encolhidos na sandália puída, tristonhos. calados. mais um suspiro. dolorido, ressabiado. quis gritar, mas temeu ferir demais o silêncio. engoliu o grito, junto com a dor. e a tristeza, que tinha o gosto mais amargo de todos. desviou os olhos para a cama vazia, o lençol esticado. quis morrer, só um pouco. só por hoje. depois, quem sabe, quereria voltar. mas às vezes é isso: a gente precisa morrer um bocado, pra seguir vivendo.

imagem: Patricia Metola

a menina do colégio

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ela se levanta logo cedo, o dia ainda escuro lá fora. e frio. ela detesta frio. e por cima tem sono, quer voltar para a cama mas não pode. lamenta, suspirosa. mecanicamente, ela faz o que tem que ser feito: banho, roupa, escova de dentes, secador de cabelos, sapatos, achocolatado, pão com manteiga, chaves, mochila, fone de ouvido, pé na rua. o vento lhe bate no rosto, ela se amua. não gosta de vento, prefere o sol. caminha até o ponto de ônibus e espera, como todas as manhãs. engole o tédio. a música é boa, e ela se alegra. o ônibus chega, balanço, aperto. o trânsito ruim como todos os dias, a conversa animada das comadres no banco ao lado. a música já mudou, mas ainda é boa e ela se anima. ponto final. a avenida movimentada, o som das buzinas, os semáforos a trocar de cor. o colégio. a roleta de entrada, a caminhada de passos contados até a sala de aula, os alôs mais ou menos entusiasmados. a conversa jogada fora, os rabiscos no canto das folhas, as horas mortas, o intervalo. os diálogos sem interesse, as rodinhas rivais, as risadas vazias e a sala de aula novamente. o sono de volta, o aborrecimento, os olhos que se querem fechar sozinhos sem permissão. o discurso monocórdio do professor, as decorebas inúteis. meio-dia: o ponteiro do relógio, amigo, vem dar o aviso de liberdade. a rua, novamente. o sol a pino, o calor tão desejado. ela fecha os olhos um pouco contente, levanta o rosto em desafio e deixa que o sol ardido lhe queime as bochechas. uma alegria boa. passageira, mas boa. a caminhada até o ponto, novamente as buzinas, o trânsito, a poluição, toda gente apressada, os esbarrões. a espera, e então o ônibus de volta, o sacolejo, a janela engordurada, o cochilo interrompido pelas curvas mais acentuadas, a cabeça pendendo para a frente, em protesto. o ponto da padaria. a rua de casa, a casa. a casa. e amanhã, tudo começa de novo. até quando, meu deus, até quando? *

*adaptado de uma página do diário da menina, escrita em outubro de 1993 / foto: Renata Penna

a ostra e o vento

mulherfoi quando eu dei o último passo, saí e fechei a porta atrás de mim. assim, de uma vez só. certas coisas necessárias da vida são como arrancar um band-aid da ferida que ainda lateja: ainda que haja medo é melhor fazer de uma vez só, sem piedade. foi assim que eu fui, sem olhar para trás. saí andando a passos mais ou menos apressados, mais ou menos decididos – talvez bem menos do que mais, mas era o possível daquele momento e por isso teria que bastar. e estava tão frio lá fora, muito frio. um dia triste de um vento cortante que veio me bagunçar os cabelos e embaçar os olhos e quando eu vi já estava chorando, um nó apertando a garganta e arranhando o peito mas ainda assim eu não olhei para trás nem pensei duas vezes, não quis dar uma nova chance ou tentar de novo, nada nada nada. era o fim e eu sabia: era o fim. e doía. sabe, doía muito. nossa, como doía. doeu por algum tempo ainda, depois daquele dia. foi como um luto demorado, um velório comprido demais, enterrar um defunto que ficou por aqui até mais tempo do que deveria. mas finalmente eu joguei a última pá de terra, deixei cair por cima a derradeira lágrima e ficou tudo por lá: o que era nosso, sete palmos abaixo. muito depois talvez tenha nascido por cima uma flor, talvez uma flor colorida, eu gostaria de acreditar que sim mas não posso dizer com certeza porque não voltei mais lá. eu joguei tudo fora, deixei que tudo virasse adubo para os novos tempos, e comecei uma história nova. uma história feita de alegria, de portas e janelas abertas e sol brilhando lá fora. e agora é de novo verão aqui dentro e eu já não sinto mais frio. e isso é tanto, e como eu gostaria que você soubesse, como eu gostaria de te contar: eu já não sinto mais frio.

título: do (lindo) filme de Walter Lima Jr.

foto: Renata Penna